Dia das bruxas
As bruxas que queimaram, não eram bruxas, eram mulheres.
Mas o pior de tudo é que ainda há bruxas a queimar MULHERES!
Do livro "História de Uma Viagem, ou Duas, ou Talvez Não"
Capítulo XVII
Farpas afiadas, adeus mãe
Do livro "História de Uma Viagem, ou Duas, ou Talvez Não"
Capítulo XIX
"Terapias do Amor e da Alegria"
... O espaço tinha duas entradas por ruas diferentes. Ao chegar à entrada, percebi que todas as chaves eram parecidas e para o mesmo tipo de fechadura. Selecionei uma chave aleatoriamente e... era a chave certa. Voltei a fechar, surpreendida e dei a volta ao quarteirão, dirigindo-me à outra rua.
Selecionei outra chave do molho de doze chaves presas a uma argola grande. Novamente a porta se me abria à primeira tentativa, sem qualquer esforço. Tomei isso como um sinal. Entrei devagar, como se houvesse algum guardião invisível e tivesse de lhe pedir licença.
Havia uma certa atmosfera de tristeza no ar. Aquele grande espaço, que teria sido em tempos destinado a uma garagem, possuía divisórias envidraçadas encaixadas em alumínio que separavam gabinetes destinados a antigos funcionários. Uma coisa antiga como se de uma Conservatória se tratasse.
Imaginei logo que retiraria todas as divisórias transformando o espaço num grande salão onde organizaria cursos diversos e que também poderia ser utilizado para a dança. Percorri o corredor que dividia internamente os dois espaços até à sala da entrada principal, que era completamente envidraçada, fazendo a esquina do prédio para a rua. No corredor havia a mesma atmosfera de tristeza e recordo ter sentido por vezes arrepios quando o percorria.
No final, contudo, a atmosfera mudava completamente. Ali tudo era sol e o ambiente estava quente, ao contrário do espaço anterior, bastante frio e obscuro.
Do livro "História de Uma Viagem ou Duas, ou Talvez Não"
Capítulo XII
Linfoma
Destas viagens, a personagem principal refere também a primeira que fez para a Holanda em 1973, então com quinze anos, para seguir o seu namorado e futuro ex-marido, desertor da guerra colonial, e aqui torna-se uma referência histórica. Mas há outras viagens.
As de coração, que faz ou fez com os seus e com outros animais, as viagens que fez com os seus companheiros de mesa e de cama. A viagem que fez duas vezes para vencer um linfoma. Viagens feitas no teatro em palco. Através dos livros. Viagens xamânicas. Viagens através da poesia que sempre lhe correu no sangue.
Este livro poderia chamar-se “Os Velhos Também Amam”, ou “Viagem”, mas o leitor vai fazer várias viagens e encontrar não uma, mas quatro histórias de amor.
…Ou uma espécie de Fénix”.
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Escrito para mulheres e homens sensíveis, “História de Uma Viagem, ou Duas, ou Talvez Não”, não é um livro de metáforas.
A realidade da autora a nu, expõe sentires e sofrimentos, mas não é um livro de desesperança. É um livro de luta por dias melhores. De levantar após a queda.
É sobre esperar um abraço. Sobre chegar a velho ainda criança.
Sobre bruxas fadas que amansam dragões.
É um livro para mulheres velhas e rebeldes. Para mulheres que se rebelam, novas e velhas e para homens que querem saber mais sobre mulheres.
Amores platónicos e reais, contradições, doença psicossomática, amor às pessoas e aos animais.
Um livro em crescendo, como se fosse música.
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